Falta de segurança em sonda da Petrobras é apontada em auditoria da ANP na região da Foz do Amazonas

Uma auditoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) identificou uma falha de segurança nas bombas de combate a incêndio da sonda ODN II, no bloco 59, operado pela Petrobras na Foz do Amazonas. De acordo com o relatório, essa condição está impedindo a continuidade das operações.

A fiscalização da ANP foi realizada entre 2 e 6 de fevereiro, e a Petrobras recebeu o relatório na terça-feira (3). A auditoria constatou que a empresa cometeu uma infração administrativa, sujeita a multa entre R$ 5 mil e R$ 2 milhões. A Petrobras foi intimada a apresentar sua defesa dentro de 15 dias.

Condição ‘impeditiva’

Segundo a agência, a Petrobras não tem certeza se as bombas de combate a incêndio da sonda podem lidar com cenários de grande combustão, operando apenas em condições de baixa demanda. A fiscalização apontou deficiências nos planos e procedimentos de teste, inspeção e manutenção dos equipamentos. Essa situação foi considerada crítica e de risco grave e iminente, impossibilitando a realização das operações.

A ANP baseou sua avaliação em uma norma internacional aplicável a empresas que atuam em áreas marítimas. Essa regulamentação define uma deficiência operacional quando o sistema não consegue atender à demanda máxima necessária e determina a realização de testes anuais de desempenho das bombas. Caso elas não forneçam o fluxo e pressão de água adequados, a falha é considerada como comprometedora, podendo afetar a resposta a situações de emergência, o que requer um aviso oficial, investigação e correção.

“A ANP concluiu que, para evitar comprometer a segurança dos trabalhadores, bem como prevenir danos ambientais e ao patrimônio, é um risco continuar as operações sem corrigir essa situação”, analisa Urias Bueno, engenheiro de segurança do trabalho e gerente de meio ambiente do Instituto Internacional Arayara.

Foram apresentadas seis evidências de erros nos procedimentos. Uma delas é a demora nas inspeções da empresa: “em um dos registros, a inspeção programada para julho de 2024 foi realizada apenas em abril de 2025, revelando uma falha no controle de integridade”, conforme relatado no documento.

Essas bombas são essenciais para “controlar um incêndio, um foco de incêndio, ou mesmo uma explosão que possa se espalhar”, conforme explicado por Bueno. O especialista destaca que a falha de segurança mencionada na auditoria não está relacionada a um vazamento de fluidos, como o ocorrido no início deste ano.

“O problema está nessas bombas. Não nos equipamentos de perfuração, nas brocas, ou nas instalações dos dutos, e sim nas bombas”, ressalta.

O vazamento identificado na região foi de 18,44 m³ de fluido de perfuração no mar, em 4 de janeiro. Em fevereiro, o Ibama aplicou uma multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras.

Inicialmente, a Petrobras afirmou que o fluido não representava riscos ambientais para a Foz do Amazonas. No entanto, uma reportagem da Deutsche Welle apontou que o vazamento expôs uma substância tóxica, com potencial para afetar os animais da região, podendo comprometer funções como a respiração e a alimentação.

A InfoAmazonia entrou em contato com a Petrobras para questionar o motivo pelo qual as bombas não estavam preparadas para lidar com incêndios de grande escala e a razão para o atraso nas inspeções na sonda. Até o momento da publicação desta reportagem, a empresa não havia respondido às perguntas.


Imagem de abertura: Região da Foz do Amazonas possui uma rica biodiversidade, com manguezais, sistemas de recifes e uma biodiversidade singular. Foto: Enrico Marone/Greenpeace

By Notícias Manaus

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