Entenda o porquê do aumento nos preços dos combustíveis nos postos de Manaus, mesmo com a redução nas refinarias.

A Refinaria da Amazônia (REAM) anunciou uma nova redução no preço da gasolina vendida às distribuidoras no Amazonas. A mudança entrou em vigor nesta quarta-feira (25/3) e representa uma queda de R$ 0,35 por litro, conforme dados divulgados pela própria refinaria.

Com o reajuste, o litro da gasolina passou de R$ 4,32 para R$ 3,96 na modalidade EXA (quando a distribuidora retira o combustível). Já na modalidade LPA (com entrega feita pela refinaria), o valor caiu para R$ 3,97.

Apesar da redução na origem, a expectativa é de que o impacto para o consumidor final seja limitado — pelo menos a curto prazo.

5º reajuste só em março 2026

Este é o quinto ajuste feito pela REAM apenas no mês de março de 2026, refletindo a instabilidade do mercado de combustíveis.

Mesmo com a nova queda, motoristas ainda enfrentam preços elevados, principalmente no interior do estado, onde o litro da gasolina já chegou a quase R$ 9 em alguns municípios.

Preço nos postos de Manaus

Enquanto a refinaria reduz, o consumidor na capital sentiu o efeito contrário. Nos últimos dias, o preço da gasolina voltou a subir em Manaus.

O litro da gasolina comum passou de R$ 7,29 para R$ 7,59, enquanto a versão aditivada subiu de R$ 7,49 para R$ 7,79.

O aumento ocorreu em menos de 30 dias e surpreendeu motoristas, já que não houve aviso prévio e o reajuste aconteceu pouco tempo após a última alta.

No início de março, o combustível era vendido a R$ 6,99 — valor que subiu rapidamente em duas etapas.

Manaus entre as mais caras do país

Levantamentos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que Manaus já vinha figurando entre as capitais com combustíveis mais caros do Brasil.

No início de 2026, a cidade aparecia entre as três mais caras, atrás apenas de Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO). O etanol também se destaca pelo alto custo na capital amazonense.

Especialistas apontam que fatores como logística na região Norte, custos de transporte e carga tributária influenciam diretamente nos preços mais elevados.

REAM cita cenário internacional

Em nota, a REAM explicou que os preços praticados seguem o comportamento do mercado internacional, influenciado por fatores como a escalada de conflitos no Oriente Médio e a redução da oferta global de combustíveis.

Segundo a refinaria, tanto o petróleo quanto os insumos utilizados na produção são adquiridos em dólar e seguem referências internacionais, como o barril do tipo Brent.

Nos últimos dias, houve aumento significativo nesses indicadores. A gasolina subiu cerca de 36% no mercado internacional, enquanto o diesel teve alta ainda maior.

A empresa destacou ainda que não é responsável sozinha pelo abastecimento da região, respondendo por cerca de 30% do volume comercializado no Amazonas.

Quando a redução vai chegar ao consumidor ?

Apesar da queda anunciada nas distribuidoras, especialistas alertam que a redução nem sempre é repassada de forma imediata ao consumidor final.

Isso acontece porque o preço nas bombas depende de diversos fatores, como estoques anteriores, margem de distribuição e custos logísticos.

Enquanto isso, motoristas seguem acompanhando com atenção cada reajuste, em um cenário de instabilidade que ainda não dá sinais de normalização.

Nota da REAM

No último dia 19 de março a Refinaria da Amazônia (REAM), emitiu uma nota de esclarecimento sobre os preços e cenário do mercado de combustíveis, confira a nota na íntegra:

A Refinaria da Amazônia (REAM), diante do cenário de escalada dos conflitos no Oriente Médio, da menor oferta global e da volatilidade nos mercados de petróleo e combustíveis, vem esclarecer que não atua de forma isolada no abastecimento nem na formação de preços dos combustíveis na região. A REAM vende aos distribuidores de combustíveis cerca de 30% do volume comercializado pelos postos do Estado do Amazonas e 5% do volume comercializado pelos postos da Região Norte, sendo o restante suprido por múltiplos agentes que operam na região, incluindo Petrobras, importadores e operadores logísticos. Mesmo neste contexto de maior turbulência global e no mercado de combustíveis no Brasil, a REAM reforça que se mantém comprometida com o abastecimento da região e que está refinando e produzindo combustíveis para mitigar os riscos de desabastecimento de seus clientes.

Vale observar que nossas unidades de destilação atmosférica estão em operação, mas não produzem diretamente gasolina e diesel rodoviário (S-10 e S-500) apenas por meio do processo de refino, devido às características industriais da planta, construída na década de 1950. Por isso, é necessária a importação de insumos derivados de petróleo, adquiridos no mercado internacional, para formulação com a produção da refinaria, a fim de atingir a especificação exigida pela legislação brasileira.

Tanto o petróleo que a REAM refina, seja ele de origem importada ou nacional – inclusive o petróleo de Urucu produzido pela Petrobras em Coari (AM) – , quanto os derivados importados (insumos) necessários à produção do combustível acabado e especificado (diesel e gasolina), são adquiridos pela REAM, assim como por quaisquer outras refinarias de petróleo, em dólar e por preços que seguem indicadores internacionais, como o petróleo tipo Brent e os índices de mercado de diesel e gasolina.

Como referência, desde a escalada dos conflitos no Oriente Médio, em 28/02/26, até o fechamento do mercado na data de ontem (18/03/26), os preços da gasolina e do diesel no mercado internacional subiram, respectivamente, 36% e 65%. O petróleo, por sua vez, subiu 37 dólares por barril, passando de 73 dólares para 110 dólares por barril.

Além dos índices de preços globais mencionados acima, os preços da REAM levam em conta fretes, seguros e custos de internalização, que estão em cotações máximas desde a escalada dos conflitos no Oriente Médio.

Nesse contexto, e considerando que seus fornecedores praticam preços internacionais para insumos e serviços logísticos, a REAM precisa aplicar também aos seus clientes preços de paridade de importação, como condição necessária para a reposição de estoques e a manutenção segura do abastecimento. Preços em desequilíbrio com o mercado internacional comprometem a operação e a oferta regular ao mercado. Esse modelo é adotado por empresas privadas do setor em diferentes partes do mundo, que dependem dessa lógica para garantir a continuidade do fornecimento.

Refinaria da Amazônia

By Notícias Manaus

Não Perca!