COP15 aprova medida internacional para proteção de bagres em risco na Amazônia.

Nesta quinta-feira (26), durante a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção das Nações Unidas para as Espécies Migratórias (CMS), que está ocorrendo em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o Brasil, juntamente com Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, decidiu adotar um plano de ação para a conservação dos bagres migradores da Amazônia. Esta ação histórica acontece três décadas após o início das discussões sobre o assunto e tem como principal objetivo salvar duas espécies essenciais para a região: a dourada e a piramutaba, ambas listadas como vulneráveis e ameaçadas de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Dados recentes mostram que essas populações de bagres estão à beira da extinção em algumas áreas da bacia amazônica.

A dourada, também conhecida como Brachyplatystoma rousseauxii, pode atingir até 1,5 metro de comprimento e é conhecida por percorrer longas distâncias, chegando a viajar até 11 mil quilômetros durante o ciclo de vida. A desova ocorre nas cabeceiras dos rios amazônicos, nas regiões de transição entre os Andes e a floresta. Durante a fase adulta, os filhotes migram até o estuário da foz do rio Amazonas, onde se alimentam antes de iniciar o retorno para as áreas de desova.

Carolina Doria, secretária nacional de Registro e Monitoramento e Pesquisa do Ministério da Pesca e Aquicultura, destacou que o plano aprovado durante a COP15 é fundamental para promover a cooperação entre os países envolvidos no processo. A iniciativa de conservação foi proposta pelo Brasil e articulada com os demais países, resultando na aprovação unânime durante a convenção da ONU. A participação da sociedade civil, governos e pescadores foi fundamental para construir um consenso em torno da importância desse plano de ação.

O plano aprovado é um dos principais instrumentos para incentivar políticas transnacionais em prol das espécies migratórias. Em uma resolução anterior da CMS, a dourada e a piramutaba foram incluídas no Anexo II, reconhecendo a ameaça à sua sobrevivência e abrindo caminho para estratégias de conservação. A dificuldade na pesca desses bagres na Amazônia já havia sido discutida em reuniões anteriores entre os países da região, especialmente após a construção de hidrelétricas que impactaram a migração das espécies.

Mesmo diante das ameaças, a pesca de bagres na Amazônia representa uma parte significativa da economia local, gerando uma renda anual considerável. No entanto, estudos recentes indicam uma queda acentuada nos estoques pesqueiros das espécies de bagres, o que reforça a importância de ações de conservação como a adotada durante a COP15. A colaboração entre os países amazônicos é essencial para garantir a sobrevivência dessas espécies e a preservação do bioma.

By Notícias Manaus

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