Celebração do Dia da Síndrome de Down promove inclusão e combate à discriminação

21 de março simboliza a presença de três cromossomos no par 21

A Síndrome de Down, condição genética mais frequentemente associada à deficiência intelectual, é relembrada no dia 21 de março, data que representa a presença de três cromossomos no par 21. 

Designado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Dia Internacional da Trissomia do Cromossomo 21 (T21), o objetivo do dia 21 de março é combater o preconceito, aumentar a conscientização e melhorar as oportunidades de inclusão, garantindo direitos fundamentais como acesso à educação, saúde e trabalho.

Responsável por aproximadamente um quarto dos casos de deficiência intelectual, uma característica presente em todas as pessoas com a síndrome, a condição não é classificada como uma doença, mas pode apresentar algumas particularidades físicas, cognitivas e de saúde.

Embora seja mais conhecida como Síndrome de Down, o termo mais apropriado é Trissomia do Cromossomo 21 ou T21, pois descreve a condição genética de forma mais precisa. 

O nome é uma homenagem ao médico pediatra inglês John Langdon Down, que foi o primeiro a realizar uma descrição clínica dos sinais característicos das pessoas com SD em 1866.

No Brasil, estima-se que a síndrome afeta cerca de um a cada 700 nascimentos, resultando em aproximadamente 270 mil indivíduos. Globalmente, a incidência é de cerca de um caso a cada 1 mil nascidos vivos. 

O diagnóstico pode ser feito durante a gravidez por meio de exames de pré-natal. Entre as características físicas mais comuns estão baixa estatura, formato dos olhos amendoados, rosto achatado, dedos curtos e língua proeminente.

Características

As condições de saúde mais comuns nas pessoas com Síndrome de Down incluem atraso no desenvolvimento, cardiopatias congênitas, problemas de audição, visão e na coluna, distúrbios na tireoide e questões neurológicas. A atenção médica multidisciplinar é essencial para promover qualidade de vida.

De acordo com a especialista em distúrbios do desenvolvimento Luciana Brites, do Instituto NeuroSaber, a celebração desta data é crucial para refletir e destacar as peculiaridades da Síndrome de Down. 

“Isso ajuda a diminuir uma das maiores barreiras que a gente vê, que é a questão do preconceito, a questão pejorativa. Esse dia nos ajuda a falar mais e a desmistificar esse tema, trazendo informações relevantes e baseadas em evidência científica para que o conceito da acessibilidade e da inclusão seja realmente efetivo”, avalia. 

Luciana ressalta que a deficiência intelectual, que pode estar presente em indivíduos com T21, pode resultar em dificuldades de aprendizagem relacionadas à linguagem, raciocínio lógico e memória, aspectos que afetam o processo educacional e tornam essencial a adaptação de estratégias educacionais às necessidades individuais.

“O primeiro passo para a inclusão é compreender o transtorno ou a deficiência com a qual estamos lidando. Como cada pessoa tem suas particularidades, diferenças, comorbidades, é crucial entender isso no caso da Síndrome de Down, pois também é possível que o indivíduo tenha problemas auditivos, por exemplo.”

Desenvolvimento e inclusão

A profissional enfatiza que a escola deve identificar as necessidades de cada aluno para auxiliar no seu crescimento e desenvolvimento, visando torná-lo um adulto autônomo e capaz de desempenhar atividades no mercado de trabalho.

“A escola terá um papel crucial no desenvolvimento acadêmico, com foco nas habilidades de leitura e escrita, adaptando o ensino conforme as demandas individuais. Como a Síndrome de Down pode ser detectada ainda durante a gestação, quanto mais cedo estimularmos esse bebê, melhor será sua cognição e autonomia”, explicou.

De acordo com a psicopedagoga, o ensino deve ser personalizado com adaptações e estratégias educacionais embasadas em evidências científicas. Um exemplo é o ensino fônico, que consiste em instrução sistemática e explícita das relações entre letras e sons, proporcionando melhores resultados a longo prazo, embora seja um processo mais lento e exigente em termos de repetição.

“É fundamental que a alfabetização seja baseada no desenvolvimento consistente de habilidades precursoras, que são essenciais para o processo de alfabetização no futuro, com abordagens multissensoriais e instruções explícitas, que resultam em sucesso e progresso. Acreditar na capacidade de aprendizado desses indivíduos e incentivar a interação e participação resultará em maior evolução no aprendizado”.

Fonte: Agência Brasil

By Notícias Manaus

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